Agenda do Movimento

27 maio 2008

Agenda 21 escolar: um pequeno passo, uma grande transformação

Por Patricia da Silva Godinho
A “Agenda 21” é porventura um dos documentos mais importantes aprovados na Cúpula da Terra (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992, no Rio de Janeiro). É um documento que define um conjunto de diretrizes para alcançar o desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 pode ser a palavra mágica que abre os horizontes do envolvimento entre comunidade, governo e entidades em busca de um presente sustentável sem prejudicar o ambiente em que vivemos.

A execução efetiva da Agenda 21 exige uma reorientação profunda da sociedade humana, nomeadamente nas prioridades dos governos e indivíduos. Esta mudança exigirá, por um lado, que as preocupações ambientais sejam integradas na tomada de decisões e, por outro, a participação ativa dos cidadãos de todo o mundo, quer a nível local, nacional ou global.

As bases lógicas para a implementação das Agendas por país e por localidade são óbvias: não se poderá construir um mundo sustentável, saudável e com um ambiente protegido, sem que as respectivas ações nesse sentido tenham início nas bases dos habitantes que dominam o planeta e são capazes de transformá-lo para melhor ou pior, ou seja, os seres humanos. Daí a adoção do tão alardeado slogan: "pensar globalmente e agir localmente". A soma das boas ações locais vai produzir uma sociedade harmônica e correspondente.

Do ponto de vista prático, implementar uma Agenda 21 numa determinada comunidade significa iniciar um processo de planejamento em direção a um futuro mais sustentado, onde todos os elementos dessa comunidade são convidados a participar. Neste contexto a comunidade pode ser o país, a região, a cidade, o bairro, a empresa ou a escola, entre outros. E planear em direção a um futuro mais sustentado significa que os vários grupos e indivíduos da comunidade se vai envolver de modo a descobrir em que situação está e para onde querem ir e vão traçar o caminho para lá chegar de modo a que a comunidade seja próspera, justa e tenha um menor impacto no meio ambiente.

No processo de mudança rumo à sustentabilidade a comunidade escolar pode e deve desempenhar um papel exemplar, contribuindo para formar cidadãos cada vez mais conscientes, capazes de interiorizar conceitos como os de sustentabilidade, ética, humanismo e colaboração para o bem comum.

Seguindo este raciocínio, nada mais útil e proveitoso do que se começar um processo de elaboração de Agenda 21 dentro do âmbito de atuação direta e indireta da escola. A Agenda 21 Escolar pressupõe a inclusão da temática ambiental na escola em sua relação com a comunidade e a inserção da educação ambiental nos projetos políticos pedagógicos escolares de forma transversal. A escola tem a responsabilidade de formar cidadãos. O exercício da cidadania não é inato, deve ser aprendido. E as escolas têm esse papel de relembrar aos adultos o seu papel numa democracia deliberativa e de ensinar às crianças e jovens que podem ter uma parte ativa na comunidade.

A implementação da Agenda 21 na Escola contribui ativamente para esta aprendizagem e constituição de cidadãos ativos. E toda a sociedade ganha com isso! Os jovens não serão os cidadãos do futuro (como é habitual ouvirmos). São os cidadãos do presente. A escola tem de ser pioneira neste conceito. Uma das alternativas propostas pelo Fórum Social Mundial – em uma de suas etapas – foi a de “introduzir nas escolas de todo o mundo a discussão da Agenda 21 pelo seu caráter eminentemente emancipatório, socializando experiências existentes, com base nos princípios e valores da Carta da Terra e do Tratado de Educação Ambiental”.

As escolas têm um papel fundamental na ajuda à análise e compreensão da realidade, devido à sua função pedagógica, constitui, em acréscimo, um modelo realista da comunidade em que é possível testar processos e soluções a uma escala "laboratorial. A escola tem ainda as condições ideais para possibilitar a participação real de todos os seus membros, sendo possível debater abertamente os problemas que necessitam de ser resolvido, decidir conjuntamente quais são os prioritários e quais as propostas de ações mais adequadas para resolvê-los, bem como acompanhar e monitorizar a sua correspondente execução.

Por toda esta importância da Agenda 21 na escola, o Coletivo Jovem de Meio Ambiente de Goiás (CJ-GO) - e mais dezoito CJs Estaduais - participa do projeto das Com-Vidas (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas) com o Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental (MEC/MMA), entendendo que se trata de um movimento interessado na ampliação da discussão socioambiental em nosso país.

A Com-Vida é uma das ações estruturantes do Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas, em implantação desde 2004. A idéia surgiu como resposta às deliberações da I Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), quando os estudantes propuseram a criação de CJs e a elaboração da Agenda 21 nas escolas do país.

A Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas tem como principal papel construir a Agenda 21 na Escola, contribuindo assim para um dia-a-dia participativo, democrático, animado e saudável, promovendo o intercâmbio entre a escola e a comunidade e é também uma nova forma de organização na escola e baseia-se na participação de estudantes, professores, funcionários, diretores e da comunidade. A mesma chega para somar esforços com outras organizações da escola como o Grêmio Estudantil, Associação de Pais e Mestres e o Conselho Escolar, trazendo Educação Ambiental para o cotidiano da escola de maneira interdisciplinar, integrada às demais ações da escola.

Não é nada fácil engajar em um projeto deste ou simplesmente querer implementar a Agenda 21 na escola, é necessário uma visão de futuro, um espírito inovador e um empenho pessoal de todos os membros da comunidade escolar, ainda mais porque a Agenda 21 nunca termina: ela é sempre reconstituída, reconstruída, repassada, corrigida dentro dos fóruns de discussão e de acordo com a avaliação dos rumos dos trabalhos, as fontes de financiamento, as parcerias, novos problemas que possam surgir, novas soluções encontradas, etc.

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